terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

História de fim de verão


Sabe, às vezes dá vontade olhar para o céu, ou simplesmente por um pequeno impulso você olha e fica a admirá-lo. Há sempre algo que lhe chamará mais atenção, pode apostar! Hoje foi uma estrela em particular. Pequena até, se comparada com as outras, mas com algo bem próprio, só dela. Era pequena, porém, brilhava muito, insistentemente. 
Ah! Como eu queria ter uma luneta nessa hora... Poder observá-la mais de perto e quem sabe até entender o porquê de brilhar tanto, mais que qualquer outra. Parecia mudar de cor. Mas mesmo sem a luneta, continuei a observar. Fiquei pensando o que ela poderia representar. Talvez uma alegria, ou uma tristeza. Talvez uma espera, ou uma saudade. Talvez um amor, ou uma ironia. Talvez um olhar sincero, ou uma esperança. Talvez um sorriso, ou uma dor. Uma angústia ou um calor. Ou talvez todas as alegrias e tristezas, esperas e saudades, amores e ironias, olhares e esperanças, sorrisos e dores, angústias e calores do mundo inteiro. E por que não? Caberia tudo isso nela e estaria explicado o porquê de um brilho tão intenso.
Mas aos poucos ela foi se apagando. Nuvens escuras ofuscaram seu brilho. Mas ainda sim eu sabia que ela ainda estava lá. Ainda se via os poucos brilhos de luz que ela insistia em dar. Isso! Ela não desistia... Por mais tempestuosa que fosse aquela nuvem, a pequena estrela insistia em brilhar. Permaneceu coberta por algum tempo, e eu continuava a observar. Pensava em quando passaria tal nuvem que, agora, lhe apagara totalmente o brilho. Esperei e nada. Inquieta, andei pela casa toda, inconformada, pensando se aquela estrela não apareceria novamente. E ela não voltou, ao menos por enquanto não. Ao menos hoje não. Fiquei a pensar como uma estrela que representava tanto, com um brilho tão forte podia ser apagada por uma nuvem suja. Talvez eu não entenda, ou não queira entender. Talvez o fim esperado fosse que um vento soprasse e a nuvem se afastasse e eis que então surgisse toda reluzente a nossa pequena estrela.
Mas talvez ela só quisesse mostrar que às vezes as “nuvens negras” de nossa vida não passam tão rápido quanto esperamos. Que por mais que não se possa ser visto, ainda sim não devemos deixar nosso brilho se apagar. Continuar brilhando, mesmo na escuridão. Afinal, outras noites virão, e também aquela nuvem não ficará ali para sempre. Não sei se essa é a mensagem que se possa ser tirada disso. Na verdade, nem sei há realmente uma mensagem. Fica então como uma pequena história de uma noite de final de verão. Ou não. 
Daniella Isadora

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Sonho bom

Sonho bom. E se a realidade não é tão boa, a gente deita e sonha. Pode-se ir a qualquer lugar, a qualquer hora e com quem quiser. Lá é você quem escolhe, e se ainda sim não for como se quer, pode-se voltar atrás e imaginar de novo. Do seu jeito, é você quem sabe. Lá se é livre. Imagine, solte-se, vá explorar esse mundo de sonhos; ele é todo seu. Momentos perfeitos, sorrisos inabaláveis, ainda mais se imaginados juntos. Afinal, a melhor imaginação é aquela a dois. E sempre se acaba gostando de todo esse afeto que se pode ter, da forma que quiser, o quanto quiser. E, sabe às vezes tudo o que a gente precisa é de um pouco de carinho, um carinho compartilhado. Talvez um abraço que te acolha, que te proteja. Um abraço tão apertado que te faça esquecer todo o resto, por um momento. O nosso momento.
Pois quando se está lá não se sabe o que é tristeza nem por um segundo. E depois quando se volta ao real, não é assim tão triste mais. Ainda se dá aquele suspiro de felicidade, o suspiro de que, esse sim, foi um sonho bom.

Daniella Isadora

domingo, 6 de janeiro de 2013

Talvez

Talvez. Talvez eu me canse de você. Talvez, só talvez. Talvez eu enjoe de tantos abraços, carinhos trocados com tanto amor. Talvez eu enjoe dos beijinhos selados, às vezes roubados que você me tirou. Talvez eu não queira nas manhãs de domingo, com a chuva caindo, ao seu lado acordar. Talvez eu não goste de nas tardes sol sair contigo para dar umas voltas, passear. Talvez eu não goste que me carregue nos ombros, me pegue no colo e diga que aposta que dos seus braços não saio. Talvez eu nem goste, ou talvez não me importe se não me soltar. Talvez eu não veja, ou talvez eu nem entenda o quanto é bom ao seu lado estar. De ser sua companheira, amante, enfermeira, amiga e babá. Talvez, quem sabe. Mas talvez, só talvez.

Daniella Isadora

 

sábado, 5 de janeiro de 2013

Nostalgia

Nostalgia. E de repente tudo muda sem nada mudar. Não sei se é só uma solidão inflamada ou um vazio de um sonho que dói por até hoje não poder ter acontecido. Não, um sonho não... Talvez um forte desejo de se viver momentos comuns, vividos no cotidiano de todos, menos no seu. Sentir-se feliz como nunca antes por apenas pequenos momentos de afeto, demonstrações banais de carinho. Sim, não é nada demais, aquele mesmo feijão com arroz de sempre, mas que por instantes te faz lembrar de um vazio, que ate hoje não foi preenchido. Uma fome nunca saciada. Os mesmo vazios de antes, só que despertados em circunstâncias diferentes, com efeitos diferentes. Ora te faz sentir um vento gelado por dentro e quando se dá conta um sorriso bem escondido aparece; ora te afoga num mar de nostalgia. É isso, nostalgia. Sensações antigas mascaradas das mais diversas formas, descobertas no dia-a-dia de alguém que ainda não vivenciou instantes de felicidade saciada.
Daniella Isadora

Obsessão.

Obsessão. Talvez seja essa a palavra que melhor associe pensamentos vagos e noites de insônia. Ou não. Longe de verdades absolutas, apenas meras discussões entre partes inconscientes que tentam chegar a um consenso sobre as mais diversas possibilidades de se conquistar algo, propriamente dito como indomável e sem menor valor, mas que afinal, ainda sim é dada extrema importância e não se sabe por quê. E assim, nesse duelo de idéias, contradições e incertezas surgem caminhos que vão de lugar nenhum a lugar algum. Confúsio? Talvez... Mas então qual seria a possível causa de pensamentos tão inconstantes? Repito: obsessão! 
Daniella Isadora
"Não se perde o que não se tem.” Mas e se... tem-se, mas não se sabe ? E se a chance foi perdida por medo ou por não conseguir enxergá-la, por não acreditar que ela existisse. O tempo passa e nunca irá saber o que era pra ser feito realmente ou não. E aí, surgem aquelas pequeninas coisas que nos tiram o sossego; coisas essas que chamamos de dúvidas.
Quando não se sabe mais o que se sente, não se sabe o que fazer com tudo aquilo que já passou, mas que ainda permanece em sua m
ente. O cansaço da espera já tomou conta de você, mas ainda sim, não se quer desistir. Há um fio de esperança que o sustenta e isso é o bastante para suportar qualquer dor. A ausência o consome, mas o abraço o conforta. Resgatando forças através das lembranças. Um vento gelado assopra em seu coração nesse momento. Sente-se navegando em um mar de memórias, e isso lhe enfraquece; lhe falta o ar. Chuvas de lágrimas acompanham-lhe pelo longo caminho através dos monstruosos sentimentos. Mas espere... finalmente você consegue ver o horizonte, pode-se ver o sol se pondo e isso te acalma, te dá paz. Aparece então, um sorriso em meio às lagrimas e se renova a esperança de lutar pelo que se quer. 

Daniella Isadora